O GOLPE DA INTERNET
Não sei se já ouviram a expressão “Nem tudo que parece, é!”, ou simplesmente o ditado popular “Nem tudo que reluz é ouro.”;
Se você já ouviu, meus parabens… Mas se já ouviu e não sabe como encaixar em algo, leia este texto e vai usar esta expressão, sabendo o seu sentido!
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As férias chegaram uma semana antes e ainda não tinha feito nada de produtivo. Quando não estava banhando, comendo e conversando com Mara e Luís, os dois únicos moradores que conhecia, estava na internet, ou seja, a maior parte do tempo.
Então, especificamente neste quinto dia no bairro, ela acordou e ligou logo o computador para, mais uma vez, gastar muito tempo com conversas, que como tudo o que tinha feito em suas férias até então, eram improdutivas.
Deixou o PC ligado e foi tomar um banho. Ao chegar, conectou-se à internet e logo estava abrindo o programa de conversas instantaneas. Ao conectar-se com seu e-mail, uma caixinha no centro da tela piscava com a seguinte mensagem:
[O contato: adle@umprovedorqualquer.com.br deseja entrar em sua rede de amigos.]
Junto com a mensagem, tinham as opções “Aceitar” e “Recusar”. O seu costume era de aceitar os desconhecidos, por isso, não ficou muito grilada.
Mal terminou de clicar em “Aceitar”, uma outra caixinha apareceu, mas esta, era no canto inferior direito da tela.
André entrou.
“André?”; “Deve ser o e-mail que acabei de aceitar…”; “Não tenho nenhum André nos meus 63 contatos!”, pensava.
Se permitiu não começar a conversa. Até onde tinha aprendido, quem entra é quem fala. A não ser que você realmente queira falar com a pessoa, o que não era o caso. Esperou alguns minutos sem nada fazer… Ninguem se encontrava online, até então, a não ser aquele contato ainda misterioso. Então, uma telinha apareceu.
André diz: Hello.
Kylvia diz: Oi. Quem é você?
André diz: Já leu o meu Nick?
Kylvia diz: Já sim. Você fala de onde?
André diz: De são Luís e você?
Kylvia diz: Eu também. De que bairro?
André diz: Pão-de-ló e você?
Kylvia diz: Felipo.
André diz: Sério?
Kylvia diz: Sim, porquê?
André diz: É que eu morava aí…
Kylvia diz: Hmmm…
André diz: Que foi? Quantos anos você tem?
Kylvia diz: Nada! Tenho 15 anos, e você?
André diz: Eu também tenho 15.
Kylvia diz: Hmmm…
André diz: Que foi? Você estuda onde?
Kylvia diz: Nada! Eu estudo no “CEoS” e você?
André diz: Eu estudava na “UIC”, mas no ano que vem vou para o “CEoS” também. É a melhor escola daqui!
Kylvia diz: Hmmm…
André diz: Que foi? Você mora em que rua no Felipo?
Kylvia diz: Nada! Moro na Rua Grande Escritor Thybério Bastos.
André diz: Sério?
Kylvia diz: Hmmm…
André diz: Que foi?
Kylvia diz: Não vai me dizer que morava nesta rua também!
André diz: O.õ Morava sim! Coincidência, eu sei!
Kylvia diz: Eu não acredito!
André diz: Qual o numero da casa?
Kylvia diz: Aaaaahhhhhh! Você já quer saber demais!
André diz: Porque?
Kylvia diz: Eu nem conheço você!
André diz: Acho que não seria muito difícil descobrir o número da sua casa se eu quisesse.
Kylvia diz: Ah, é? E como?
André diz: É só eu ligar para uns amigos meus desta rua e perguntar qual casa mora a novata. Acho que não seria difícil.
KYlvia diz: Hmmm…
André diz: Que foi? Vai falar?
Kylvia diz: Qual o interesse? Você nem me conhece!
André diz: Nada não!
Minutos em silêncio.
André diz: Qual é?
Kylvia diz: Ã? Qual é o que?
André diz: O número da casa… Diz aí…
Kylvia diz: Pra quê você quer saber?
André diz: Eu posso ter morado aí!
Kylvia diz: Ah, sim! Eu moro na casa de número 1254.
André diz: Hahahaha.
Kylvia diz: Hmmm… Que foi?
André diz: Eu morava aí. Ei, vou ter que dar uma saída, a gente se encontra rapidinho, tá bem?
Kylvia diz: Tá!
André diz: Beijos.
Kylvia diz: Outro!
Assim, terminou de conversar. Foi à cozinha pegar uma danone para o café-da-manhã. A mãe estava no serviço, o irmão havia viajado com um grupo de amigos para acampar e o pai, estava viajando à negócios.
Voltou ao seu quarto e ficou sentada em frente ao PC, entrando em sites divertidos, esperando André finalmente voltar. Havia gostado dele, embora não acreditasse que ele havia morado nesta mesma casa.
Já haviam passado 15 minutos e já não havia nada a fazer, a não ser assistir televisão. Mas ainda tinha esperanças da volta dele. Foi interrompida com a campainha tocando. Levantou-se de súbito. “Quem seria?”, pensava.
Olhou pelo olho mágico. Havia um grande carro parado em frente a sua casa, e um homem bem afeiçoado, que aparentava seus 40 anos em frente a porta. “Seria algum amigo de minha mãe?”; “Ou alguém pedindo informação do morador passado?”.
Abriu a porta.
- Pois não?- Oi. Você é a Kylvia?- Sim, quem é…- Eu sou o André, sua cretina!
Ao pronunciar estas palavras, o homem deu um soco no rosto da garota.
- SOCOR…
André fechou a porta da casa e enfiou um pano na boca de Kylvia, também imobilizando-a com cordas. Levou-a a um compartimento qualquer, abandonando-a. Sacou a arma da cintura, e começou a andar pela casa em busca de alguém, sem respostas.
Ao notar que estavam sozinhos, o homem começou a pegar os objetos de valor e levá-los ao carro estacionado na porta de casa. Kylvia choramingava com todos os sons que eram possíveis sair de sua boca.
Ao fazer uma limpeza geral na casa em que estava, André foi até o compartimento em que Kylvia se encontrava. Apontando a arma pra ela, desamarrou-a, deixando-a livre.
- Você poderia ter mais um dia de vida, mas o que você não aprendeu é que é muito perigoso dar seus dados a qualquer um… E ainda mais na internet.
- Mas An…
Não pronunciou mais nada, porque foi atingida com um tiro na testa. O tiro não produziu ruído algum, pois estava com o silenciador.
Assim, do modo que entrou, saiu. André foi embora e nunca foi pego pela polícia. Este crime não teve suspeitos e ninguém da rua pareceu ter visto o carro ser estacionado na porta da casa da vítima.
Seria muito desagradável narrar a mãe de Kylvia chegando em casa e encontrando-a jogada ao chão com os olhos esbugalhados deitada em uma poça de sangue com um furo na testa.
Seria mais desagradável ainda narrar o irmão que estava incomunicável. Chegou em casa um mês depois do ocorrido, e no tempo que passou fora, não deu um telefonema sequer.
E mais desagradável ainda seria narrar o pai da garota, que mesmo na Inglaterra, a notícia chegou 3 minutos depois da visão da mãe e de seu grito desesperador.
Mas o mais desagradável de tudo, seria narrar que o assassino esteve todo tempo perto da famílía da sua vítima. Consolando-os e se disponibilizando a ajudar em qualquer coisa. Disse que era um funcionário de uma antiga escola que ela estudara, pegando assim, confiança e preparando-se para o próximo golpe.













